Meu corozinho de peito dorme depois da última mamada e eu deveria estar dormindo junto com ela, mas decidi escrever antes que a memória falhasse.
A indução do parto não funcionou. Cheguei a ter contrações fortíssimas de 3 em 3 minutos e o colo do útero amoleceu e mudou de formato, mas a Marcela devia estar pendurada nas minhas amígdalas porque a médica teve que abrir para ir buscar.
Valeu a tentativa. Se não tivesse sido assim, passaria o resto da vida pensando que poderia ter tentado. Não deu. Pronto.
Para quem está na dúvida entre parto normal e cesáreo, saiba que depois de uma cirurgia a sua barriga incha. E os gases doem. E você fica deitada, sem poder se mexer, com uma sonda para urinar. As enfermeiras puxam o seu seio até fazer o bico entrar na boca do bebê que você ainda não pôde ver direito porque está debilitada, e tudo o que você mais quer na vida é poder, ao menos, sentar e pegar sua cria no colo.
E a saga continua depois da alta. O corpo incha, a cicatriz coça e tem que tratar todo dia, dá medo de tossir e estourar uma coisa por dentro, fica difícil agachar para pegar qualquer coisa. Sem contar que só hoje, 5 dias depois de me furarem o buxo com a peixeira, é que fui conseguir fazer o número 2.
Ainda bem que minha mãe está aqui ajudando com tudo e meu marido está sendo nota 10, mas quem não tem ajuda como faz?
Desabafo feito, falemos do que é belo:
Meus seios fizeram a apojadura no terceiro dia. Nome feio que significa que deu leite. Usei Lansinoh para preparar este momento desde o sexto mês de gestação e foi ótimo, visto que os bicos dos meus seios não racharam e tudo indica que não vão rachar. Estão doloridos, claro, mas estava pronta pra isso.
Quer dizer, estava pronta para a dor e não para o sentimento de amor doido que acompanha este momento alienígena.
Quando ela põe a boca no peito e puxa dóóóóóói por um, dois, três segundos e depois passa. Então o mundo se transforma nela. E eu fico em transe, olhando para aquele bichinho pequenininho grudado no meu peito e suando com o esforço de sugar a minha alma.
E quando ela termina, solta o bico, respira fundo, deita a cabecinha sobre o seio que acabou de ser usado e fica dormindo lá, com aquela carinha enrugada de recém nascido, parecendo um caramujinho, uma larvinha, um coró de peito.
É doido. É lindo. É sublime. E dá vontade de chorar. E eu choro feliz.
Um comentário:
Lindo seu depoimento amiga, é isso mesmo - amor demais para caber. Beijos!!
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